Corpos expansivos : vídeo um

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O vídeo um é o primeiro de uma série de experimentos audiovisuais com o projeto corpos expansivos, com a ideias de transformação do eu e os ”múltiplos-eus” e as questões iniciais que acompanham toda a pesquisa (qual o mínimo para se tornar outro e qual o máximo para permanecer o mesmo) o vídeo se passa em um ambiente similar a um laboratório, frio e mostra texturas pulsantes em superzoom, além da trilha sonora tensa.

Esse primeiro vídeo foi pensado para o ato de comer-transformar e os próximos seguem essa linha, como respirar-transformar, circular-transformar, ver-transformar, e por ai vai, sugerindo a transformação constante do ser humano, coletiva e individual.

O vídeo foi gravado no laticínio da fazenda em que ocorreu o SPA (Abril 2018), Imersão artística da matéria seminário de pesquisa em andamento do PPGAV, com os professores Malu Fragoso e Guto Nóbrega, coordenadores do NANO. Teve o auxílio da Alana Santos na produção, de Bruna Werneck como performer e a trilha sonora do vídeo é foi gravada e produzida pela Stephanie Doyle, todas bolsistas do NANO na época, o briefing/inspiração para a trilha sonora foi o album Space is only noise do Nicolas Jaar.

A versão a seguir é a segunda edição do vídeo um, a mesma em que foi apresentada na exposição coletiva DISSECADAS em junho de 2018 na Marquês 456 (rj), no evento Comuna Intergalática em setembro de 2018 no planetário do Ibirapuera (sp) e na jornada de iniciação científica (JIC) em outubro de 2018. A primeira versão foi apresentada no evento HIPERORGÂNICOS 8, em maio de 2018 no MAST. 

imagem do making off por Alana Santos

Corpos expansivos e os materiais vivos – novos caminhos

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A pesquisa “investigações sobre o corpo expansivo” teve início em maio de 2017 e desde então foram realizadas diversas experimentações com o objetivo de provocar e explorar as principais questões da pesquisa: “qual o mínimo para se tornar outro” e “qual o máximo para permanecer o mesmo?” questões que tratam de limite, corpo, do ser humano e do ser pós-humano.

Materiais testados:

    • Rolo de papel
    • Painas
    • Amido de milho
    • Prendedores de madeira
  • Slimes/ Amoeba

Hoje, a pesquisa de quase um ano ganha novas formas, com a análise dos resultados e das referências, novas questões entraram em pauta e os materiais vivos começaram a me chamar mais atenção, a pele, as superfícies vivas, que se expandem por si, crescem e tem um controle próprio, em que eu, como humano que antes provocava todas as alterações e experimentações no meu corpo, passo a compartilhar esse controle com outro ser vivo, divido o controle e o corpo, que passa a ser modificado por outro ser.

Simultâneo ao interesse dos materiais vivos e ‘autônomos’, a leitura do texto sobre a teoria das coisas (“moving as some thing” de André Lepecki) começa a fazer parte da pesquisa, a ideia de colocar os seres humanos no mesmo patamar das “coisas” (‘things’) e essa fuga do antropocentrismo passa a ser interessante para descobrir esse mínimo e máximo e do limite entre o eu e o não-eu.

Essa foi a proposta enviada para a JIC 2018. Resumo enviado:

Corpos Expansivos e os novos materiais

A pesquisa “Investigações sobre o Corpo Expansivo” tem como tema o conceito de limite, de corpo, do ‘ser’ humano e do ‘ser’ pós-humano. Teve início em 2017 e desde então foram realizadas diversas experimentações com o objetivo de provocar e explorar as seguintes questões: qual o mínimo para se tornar outro? e qual o máximo para permanecer o mesmo? Nossa meta é produzir fotografias e vídeos artísticos que expressam essas questões nas formas de narrativas ficcionais.

Para os procedimentos metodológicos, ao longo das experimentações, foram utilizados materiais orgânicos e inorgânicos, de diversas texturas, formas e efeitos, testados sobre/com o corpo. Os testes, registros fotográficos e audiovisuais, representam resultados preliminares que foram apresentados em eventos científicos/acadêmicos e eventos artístico/culturais. 

Atualmente a pesquisa ganha novas formas a partir da a análise dos resultados e das referências investigadas. Novas questões entram em pauta com os materiais vivos e os biomateriais, como por exemplo, o biofilme de kombucha, o bioplástico e o mycelium (origem fúngica) alvos de pesquisas direcionadas para projetos que visam amenizar os efeitos do plástico e outros materiais nocivos ao meio-ambiente. As bactérias (kombucha), plantas (musgos), e o bolor limoso (reino protista) nos interessam enquanto peles e superfícies vivas que se expandem por si, crescem de forma autônoma e interagem  com/no o corpo humano. 

Como membro do laboratório NANO, minha pesquisa esteve vinculada ao projeto Arte e Tecnologia em Campos Experimentais de Naturezas Híbridas e a partir de 2018 meu objetivo é dar continuidade estudando esses novos materiais, fazendo testes práticos e implantar seu uso no laboratório, bem como desenvolver os trabalhos artísticos que serão expostos/apresentados em eventos ao longo desse processo. 

A metodologia é teórico-prática com discussões conceituais, trabalhos em grupo, elaboração de textos , experimentos e testes dos materiais, aplicados à trabalhos do laboratório e aos vídeos-arte que continuam a pesquisa dos corpos expansivos. Como referência e apoio, estão sendo investigados artistas como Lucy Mcrae, Bart Hess, Shai Langen, Liana Nigri e Eduardo Kac.

Bibliografia:

VILLAÇA, Nízia. A edição do corpo: tecnociência, artes e moda. Barueri, SP: Estação das letras Editora, 2007

SANTANELLA, Lúcia. Pós-humano: porque? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007.

FRAGOSO, Maria Luiza. Tecnologia e arte: a estranha conjunção entre “estar vivo” e subitamente “estar morto” . In. Palindromo (Online) v.4, pg.59-67. 2011

RUSH, Michael. Novas mídias na arte contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006 

LEEST, Emma van der. Form follows Organism: the biological computer. Roterdão: Willem de Kooning Academy, 2016 

KAPSALI, Veronika. Biomimicry for designers. New York, Thames & Hudson, 2016.

Os materiais vivos de interesse:

  • Kombucha:

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  • Musgos: 

Musgo

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Além de expansivo, o musgo possui propriedades energéticas que ja sao exploradas por alguns cientistas e designers, a foto acima é uma pesquisa do Iaac (Instituto de arquitetura avançada da Catalunha)

  • Slime mold (bolor limoso): 

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Video: https://www.nowness.com/story/the-creeping-garden?autoplay

(imagens do bolor limoso e musgos: google)

Experimentos e JIC 2017

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Para a JIC – Jornada de Iniciação Científica – ocorrida em outubro de 2017, foram apresentadas as referências da pesquisa e os primeiros experimentos. Assim como expostas as questões principais, que surgiram a partir da leitura do texto de Lucia Santaella “Da cultura da mídia às ciberculturas: o advento do pós humano”. 

Anotações de caderno:

“O corpo hoje, corpo virtual, afeto virtual

Cyborg – organismo cibernético

O corpo humano melhorado/ aperfeiçoado/ ajustado pela ciência

Até onde?

O corpo como arma

  • Qual o mínimo para se tornar outro? 

  • Qual o máximo para permanecer o mesmo?

  • até onde podemos ir sendo nós mesmos?

Hoje em dia, com as redes sociais, é muito fácil ser/tornar-se outro, viver de uma imagem que se cria. Esse ser/tornar-se outro é negativo? Por passar a ideia de falsidade/ viver de aparências. Às vezes essa aparência se torna mais você que a sua identificação anterior, isso é um problema? Não somos múltiplos? Quantos de nós existem e podem existir simultaneamente?”

O resumo da pesquisa:

Investigações sobre o corpo expansivo

A pesquisa tem como objetivo o estudo de vestíveis, próteses e extensões do corpo, explorando os efeitos, defeitos, formas possíveis, impossíveis e improváveis que um corpo pode tomar.

Impulsionada pelas questões: “qual o mínimo para se tornar outro? ”, “qual o máximo para permanecer o mesmo? ”e “quando um corpo se torna irreconhecível? ” a pesquisa irá experimentar texturas, cores, luz, transparência, movimento, interatividade, artifícios visuais, ilusórios e táteis e outros meios expressivos para responder as perguntas sem intenção de uma solução única e finita.

Através de aplicações sutis, intervenções pequenas e/ou grotescas, buscaremos meios de tornar um corpo estranho, seja para si ou para o outro, refletindo acerca da pluralidade do ser humano hoje e investigando temas que permeiam as noções de belo, agradável, desagradável e incômodo e áreas de pesquisa na arte, moda, biologia, tecnologia, bioética, comportamento e suas linguagens.

A metodologia da pesquisa é prático-teórica, com estudos e experimentos que serão registrados e apresentados em vídeo e foto-performance.  Como apoio, serão investigados artistas como Lucy Mcrae, Shai Langen e Anouk Wipprecht.

Referências bibliográficas:

  •      VILLAÇA, Nízia. A edição do corpo: tecnociência, artes e moda. Barueri, SP: Estação das letras Editora, 2007
  •      SANTANELLA, Lúcia. Pós-humano: porque? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007.

  •      SANTANELLA, Lúcia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós- humano. Revista FAMECOS • Porto Alegre • no 22 • dezembro 2003.

  •      CARL, Wolfgang. A natureza do si-mesmo: Hume ou Kant? Universidade de Göttingen. Analytica v.6 n.1, 2001/2002.

  •      Entrevista com José Gil conduzida por Bruno Marques. Revista de História da Arte n5, 2008.

Fotos dos experimentos: 

Experimento 1 – rolos (http://www.nano.eba.ufrj.br/experimento-1-papelao/)

Experimento 2 – amido

 

Experimento 3 – painas

 

Experimento 4 – ameba

 

 

 

 

 

Experimento 1 – Rolos

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O experimento de material 1 foi feito com rolos de papel cortados, pintados e conectados uns aos outros. O resultado foi um acessório semelhante à uma coluna que foi experimentado em algumas partes do corpo. Alguns dos registros estão anexados à esse post.

Com esse experimento, percebo um processo caseiro e íntimo, um ser que à primeira vista causa estranheza mas depois torna-se familiar nesse ambiente, que não diz nada, pode ser qualquer lugar ou lugar nenhum. É o primeiro de uma série de experimentos com o corpo, sugerindo sua multiplicidade e possibilidade de expansão.

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Referência da pesquisa sobre extensões do corpo – Lucy McRae

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Lucy McRae se auto-denomina arquiteta do corpo e artista sci-fi. Ela coloca o corpo humano em cenários e ambientes futuristas e extraordinários, de maneira que nos deixa sem saber se aquilo já é uma ferramenta do futuro ou só a especulação e instigação da artista. Me encanta e inspira ela conseguir fazer o espectador confundir o real com o artificial e a questionar os limites do corpo.

A primeira coisa que me chamou atenção nela foi o efeito que ela consegue produzir com coisas tão simples: Balões, rolo papel, luvas, cotonete, e uma infinidade de objetos banais que ela transforma em novos corpos. Essa ideia de objetos de fácil alcance me inspira muito para produção dos experimentos, tanto que o primeiro material que utilizo é o rolo de papel.

Alguns trabalhos de foto com o corpo:

Rolo de papel
Rolo de papel

 

Luvas de plástico
Luvas de plástico

 

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Balões de festa

 

lucy mcrae4

 

lucy mcrae2    lucy mcrae

 

Os vídeos são parte importante no trabalho de Lucy. Muito bem produzidos, conseguem nos levar longe. Trilha sonora, direção de arte, iluminação, câmera, atuação.. é tudo muito bem feito. Alguns dos vídeos:

  1. Make Your Maker – produção em que Lucy sugere a clonagem humana como fonte de alimento.

2. Astronaut Aerobics – “Astronauts Aerobic Institute é uma organização fictícia que prepara o corpo para viajar ao espaço” (site oficial Lucy McRae, tradução por mim) É um estudo dos efeitos no corpo ao estar sob efeito do vácuo e gravidade 0.

 

Site: https://www.lucymcrae.net

 

Referência da pesquisa sobre extensões do corpo – Anouk Wipprecht

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Anouk é designer de moda e engenheira, ela usa a tecnologia e o corpo para produzir vestidos com funções como “preparar um drink” e roupas que reagem `a presença de outras pessoas. A interação e o movimento dos vestíveis e corpos interessam para o estudo dos corpos expansivos, assim como a linguagem em vídeo.

 

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Drinkbot Dress (Vestido que prepara drinks)

 

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Spider dress (Vestido Aranha)

 

No vídeo abaixo, alguns dos trabalhos feitos por ela.

site: anoukwipprecht.nl

Referência da pesquisa sobre extensões do corpo – Shai Langen

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Shai Langen é um dos artistas que tem me inspirado para a investigação dos vestíveis e próteses / a mutabilidade dos corpos. Estou estudando a vídeo-performance como meio de apresentar meus trabalhos e a linguagem de Shai Langen me interessa muito, são vídeos delicados e intensos, com trilha sonora forte, que conversa muito bem com a imagem.

Esse primeiro é o Imago Dei, os modelos foram pintados com cola para papel de parede e tinta acrílica.

 

O segundo se chama “Artificial Growth” (Crescimento artificial) e imagino que sejam bolhas de sabão ou um plástico elástico e bem fino.

Site: https://www.shailangen.com