Bootcamp: Indústria Têxtil

postado em: Blog | 0

 Durante os dias 6 a 10 de maio de 2019, aconteceu o Bootcamp Indústria Têxtil no SENAI FabLab (Unidade Benfica) pelo Instituto HUB, no qual, foram ensinados diversas técnicas de produção de têxteis durante a semana. Confira a minha experiência dessa intensiva semana aqui:

 

06.05.2019 (Dia 1)

 Iniciou a semana de BootCamp com uma introdução sobre vestíveis com tecnologia aplicada, a palestrante mostrou diversos exemplos de projetos aplicados com novos tecidos e wearables usados no meio artístico, pesquisa e na moda.

Após a introdução de conteúdos, fora apresentado o espaço FabLab para trabalharmos no desenvolvimento dos projetos durante a semana – uma grande estação de trabalho maker, com muitos materiais e recursos de processos de fabricação disponíveis como diversas impressoras 3D e uma grande máquina de corte a laser, sem mencionar as oficinas e máquinas de cnc que há dentro do espaço.

Já mostrado o ateliê de trabalho, os integrantes do BootCamp foram sorteados por número para se dividirem e trabalharem em grupos combinados de acordo com os números retirados. Logo depois, fomos encaminhados para uma sala de Desenvolvimento de Projetos para começarmos um briefing e decidir os caminhos do que iremos trabalhar durante a semana. Foram divididos 5 grupos de 4 pessoas cada para desenvolver um vestível funcional, com no mínimo 2 desses processos:
– Eletrônica
– Impressão 3D
– Tingimento
– Corte a laser
– Biotecido

 


Foi incrível a troca de conhecimentos de pessoas de diversas idades, áreas e pensamentos trocando ideias para desenvolver projetos em grupo. No meu grupo, havia uma costureira, uma designer de moda e uma engenheira de petróleo, e eu, estudante de design de produto. Como eu sou o único pesquisador, contribuí com uma ideia sobre a minha linha de pesquisa no nano – o wearable que muda de cor conforme a batida da música, e também, expliquei o conceito por trás do projeto:

O projeto foi pensado na aula de Oficina de Modelos 2 (EBA/UFRJ) para um projeto de luminária que seja inspirada em um estilo musical como conceito do design. O tema escolhido foi “House Music”, por ser o estilo musical mais presente na cena das Ballrooms, na dança/movimento “Vogue”. As runway do Vogue são as grandes inspirações para o projeto: Fantasiando-se e “vendendo o seu produto” na passarela, desfilando com todo glamour possível, servindo a sua costura com o seu charme, chamando a atenção no andar e segurando uma bela pose… Esse é o espírito do projeto, tornado-se não só uma luminária, como um vestível.


As meninas adoraram!! E entraram nessa minha ideia como plano A e como plano B, um vestível ao contrário, que detectasse os batimentos cardíacos por um sensor e captasse o som e a cor, ao ponto de fazer uma música.
Como a ideia do wearable é ser uma luva que muda de cor conforme a batida da música, o produto foi batizado como Beatwear (vestir a batida). O conceito do design foi debatido sobre as luzes interpretarem meu esqueleto se misturando com a tecnologia, uma filosofia de homem-máquina, que eu queria remeter ao filme clássico Metropolis (1927). Escolhemos os materiais que usar para o wearable, as meninas medição ergonômica da minha mão até os meus braços para fazer um “projeto sujo” (mockup). Finalizamos o dia com uma aula introdutória no programa CAD 3D, Autodesk Fusion 360, modelando um foguete com fundamentos básicos de computação gráfica.

 

 

07.05.2019 (2º dia)

Têxteis. O segundo dia do BootCamp foi totalmente de aulas práticas, voltado a tecnologia dos materiais têxteis, cujo ensinamento foi aplicado sobre técnicas de tingimento nos tecidos, fabricação de biotecidos e bioplásticos. Uma grande oficina e palestra com Clara Acioli!! Onde ela mostrou o que produziu durante a pesquisa dela de novos materiais, os tipos de biotecidos a partir de chás, misturas de restos de alimentos e outros orgânicos. 

 

No espaço de cozinha industrial liberado para a prática dos processos a serem ensinados, foram disponíveis também, diversos materiais orgânicos como temperos e pétalas e folhas de plantas a serem aplicadas na técnica de tingimento: Tie Dye e Impressão Botânica.

Cada grupo teve que fazer estampa de forma criativa a partir dos materiais orgânicos disponíveis pelo FabLab para tingir os panos úmidos. Aprendemos desde o preparo das toalhas nas panelas ao fermento delas com os materiais orgânicos para serem aplicados os tingimentos. E também, tivemos a oportunidade de desenvolver bioplástico de gelatina, com texturas de restos de frutas que quiséssemos adicionar. Exaustivo e técnico, o dia prático para processos de fabricação e tintura não teve muito o que pensar no trabalho em desenvolvimento, então, deixamos para o próximo dia para focar no projeto.

  

08.05.2019 (3º dia)

Processos de Fabricação Digital. O terceiro dia foi dedicado a impressão 3D e corte a laser! Uma palestra com o dono da MakerFactory, e uma aula introdutória com o Autodesk Fusion 360, com o mesmo, para depois imprimirmos o que projetamos no software CAD através de um software secundário, o CURA. Projetamos a logo no Paint (hahaha) e conseguimos imprimir 3D utilizando o Autodesk Fusion 360 cobrindo com o comando line a logo que desenvolvi no Paint. A logo da Beatwear foi impressa tridimensionalmente em duas cores: amarelo e roxo.

 

  

Como o 2º dia foi totalmente de aulas práticas, não tivemos tempo de escolher o biomaterial para compôr no nosso wearable. Então, deixamos uma hora do dia para escolhermos o material, e ficamos entre três bioplásticos: Gelatina, Grafite e Cascas de Banana. Esteticamente, eliminamos o de gelatina logo de cara por não atender o nosso conceito e gostos visuais, e também, por rasgar rápido, visamos a funcionalidade na hora do movimento – já que tratamos o wearable como um componente de performances.

 

 

09.05.2019 (4º dia)

Arduino day. O penúltimo dia de BootCamp foi a parte mais interessante para a minha pesquisa, pois se tratava de um dia exclusivo para a programação de arduinos, com vários sensores, leds e lilypad disponíveis para usarmos nos nossos projetos.

O projeto estava atrasado por ainda não decidirmos os materiais que iríamos usar no Beatwear, então, dedicamos um tempo para pôr uma decisão final. Eliminaremos o material que não atender a funcionalidade, como desejamos um material mais maleável, o de Cascas de Banana atendeu bem as nossas expectativas, sendo bem resistente também em comparação ao Grafite (por mais que o grafite ser muito mais lindo). Depois dessa decisão, fomos a máquina de Corte a Laser para termos a nossa luva de Mandioca e Cascas de Banana pronta.

O monitor de eletrônica estava bem ocupado orientando outros grupos, pois eram diversos projetos complexos e interessantes. O nosso grupo teve que combinar com o monitor para continuarmos no dia seguinte, explicando para ele o conceito do nosso wearable, e ele, bem compreensivo, concordou em continuarmos no último dia, até certo horário, para finalizarmos o projeto.

 

10.05.2019 (5º dia)

Grand Finale. O monitor de eletrônica chegou cedo para ajudar com a programação do nosso projeto, vimos um jeito dos Leds brilharem de acordo com a batida de músicas através do sensor sonoro, e, ocorreu tudo certo com a parte eletrônica.

Tudo dançando conforme a música e com o molde da luva de bioplástico pronta, passamos o dia organizando o circuito de fios do led do wearable, já que tínhamos um “problema”: alguns fios não podem ter contato para não gerar curto-circuitos ou bugs. Um desafio de design! Cuidei disso tendo que eliminar a chance de ter um led no dedão para não encostar nos outros fios, antes eliminar um led, que não funcionando nenhum.

 

Organizado e montadinho, terminamos o projeto a tempo, lá pelas 16h30, e foi um sucesso! Terminamos o BootCamp com a presença de professores, técnicos e alunos calouros do curso de Design Industrial e de outros cursos da Escola de Belas Artes da UFRJ. Apresentamos a Beatwear a eles, e por fim, tiramos uma grande foto para o Instituto HUB. Orgulho de ter botado fé nesse projeto maravilhoso!!

 

   

 

O que foi utilizado:
Bioplástico de mandioca com cascas de bananas (material da luva)
Arduino Lilypad (programação)
Sensor de som (eletrônica)
Autodesk Fusion 360 (modelagem 2D e 3D)
Fitas Leds (iluminação)
Plástico de Filamento (logo “Beatwear”)

Processos de Fabricação:
Produção de Bioplástico
Impressão 3D
Corte a Laser

Apoio:
Instituto HUB
Firjan SENAI
Parque Tecnológico da UFRJ
Agência UFRJ de Inovação
LAB3i – Laboratório de Inovação Informação e Interação
LAB FUZZY – Laboratório de Lógica Fuzzy da COPPE/UFRJ

Equipe:
Henrique Cantilho da Silva (Designer)
Thaiza Reis (Engenheira)
Roselene Augusto Sant’anna (Técnica Têxtil)
Mirian Anastácio da Silva (Designer de moda)

Quer saber mais como o wearable Beatwear foi feito desde o molde da luva cortada a laser, a logo na impressão 3D e a programação do Arduino? Acessem esse link para todas essas informações.

Corpos expansivos e os materiais vivos – novos caminhos

postado em: Blog | 1

A pesquisa “investigações sobre o corpo expansivo” teve início em maio de 2017 e desde então foram realizadas diversas experimentações com o objetivo de provocar e explorar as principais questões da pesquisa: “qual o mínimo para se tornar outro” e “qual o máximo para permanecer o mesmo?” questões que tratam de limite, corpo, do ser humano e do ser pós-humano.

Materiais testados:

    • Rolo de papel
    • Painas
    • Amido de milho
    • Prendedores de madeira
  • Slimes/ Amoeba

Hoje, a pesquisa de quase um ano ganha novas formas, com a análise dos resultados e das referências, novas questões entraram em pauta e os materiais vivos começaram a me chamar mais atenção, a pele, as superfícies vivas, que se expandem por si, crescem e tem um controle próprio, em que eu, como humano que antes provocava todas as alterações e experimentações no meu corpo, passo a compartilhar esse controle com outro ser vivo, divido o controle e o corpo, que passa a ser modificado por outro ser.

Simultâneo ao interesse dos materiais vivos e ‘autônomos’, a leitura do texto sobre a teoria das coisas (“moving as some thing” de André Lepecki) começa a fazer parte da pesquisa, a ideia de colocar os seres humanos no mesmo patamar das “coisas” (‘things’) e essa fuga do antropocentrismo passa a ser interessante para descobrir esse mínimo e máximo e do limite entre o eu e o não-eu.

Essa foi a proposta enviada para a JIC 2018. Resumo enviado:

Corpos Expansivos e os novos materiais

A pesquisa “Investigações sobre o Corpo Expansivo” tem como tema o conceito de limite, de corpo, do ‘ser’ humano e do ‘ser’ pós-humano. Teve início em 2017 e desde então foram realizadas diversas experimentações com o objetivo de provocar e explorar as seguintes questões: qual o mínimo para se tornar outro? e qual o máximo para permanecer o mesmo? Nossa meta é produzir fotografias e vídeos artísticos que expressam essas questões nas formas de narrativas ficcionais.

Para os procedimentos metodológicos, ao longo das experimentações, foram utilizados materiais orgânicos e inorgânicos, de diversas texturas, formas e efeitos, testados sobre/com o corpo. Os testes, registros fotográficos e audiovisuais, representam resultados preliminares que foram apresentados em eventos científicos/acadêmicos e eventos artístico/culturais. 

Atualmente a pesquisa ganha novas formas a partir da a análise dos resultados e das referências investigadas. Novas questões entram em pauta com os materiais vivos e os biomateriais, como por exemplo, o biofilme de kombucha, o bioplástico e o mycelium (origem fúngica) alvos de pesquisas direcionadas para projetos que visam amenizar os efeitos do plástico e outros materiais nocivos ao meio-ambiente. As bactérias (kombucha), plantas (musgos), e o bolor limoso (reino protista) nos interessam enquanto peles e superfícies vivas que se expandem por si, crescem de forma autônoma e interagem  com/no o corpo humano. 

Como membro do laboratório NANO, minha pesquisa esteve vinculada ao projeto Arte e Tecnologia em Campos Experimentais de Naturezas Híbridas e a partir de 2018 meu objetivo é dar continuidade estudando esses novos materiais, fazendo testes práticos e implantar seu uso no laboratório, bem como desenvolver os trabalhos artísticos que serão expostos/apresentados em eventos ao longo desse processo. 

A metodologia é teórico-prática com discussões conceituais, trabalhos em grupo, elaboração de textos , experimentos e testes dos materiais, aplicados à trabalhos do laboratório e aos vídeos-arte que continuam a pesquisa dos corpos expansivos. Como referência e apoio, estão sendo investigados artistas como Lucy Mcrae, Bart Hess, Shai Langen, Liana Nigri e Eduardo Kac.

Bibliografia:

VILLAÇA, Nízia. A edição do corpo: tecnociência, artes e moda. Barueri, SP: Estação das letras Editora, 2007

SANTANELLA, Lúcia. Pós-humano: porque? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007.

FRAGOSO, Maria Luiza. Tecnologia e arte: a estranha conjunção entre “estar vivo” e subitamente “estar morto” . In. Palindromo (Online) v.4, pg.59-67. 2011

RUSH, Michael. Novas mídias na arte contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006 

LEEST, Emma van der. Form follows Organism: the biological computer. Roterdão: Willem de Kooning Academy, 2016 

KAPSALI, Veronika. Biomimicry for designers. New York, Thames & Hudson, 2016.

Os materiais vivos de interesse:

  • Kombucha:

IMG_3985 IMG_3991

IMG_3975

  • Musgos: 

Musgo

moss-voltaics-lena-mitrofanova-otf-iaac-barcelona

Além de expansivo, o musgo possui propriedades energéticas que ja sao exploradas por alguns cientistas e designers, a foto acima é uma pesquisa do Iaac (Instituto de arquitetura avançada da Catalunha)

  • Slime mold (bolor limoso): 

1280px-Fuligo_septica_bl1 SciSource_7Z3597

Video: https://www.nowness.com/story/the-creeping-garden?autoplay

(imagens do bolor limoso e musgos: google)