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O projeto S.H.A.S.T. (Sistema Habitacional para Abelhas sem Teto) é uma proposta em arte contemporânea situada do campo experimental da arte computacional, que investiga interseções poéticas entre arte, natureza, e tecnologia no contexto da telemática. Faz parte de um conjunto maior de trabalhos que buscam na aplicação de um ferramental tecnológico, associado a objetos artesanais, explorar o potencial criativo que decorre da integração entre sistemas artificiais, digitais e/ou analógicos, com organismos naturais, neste caso um enxame de abelhas africanizadas, localizado no Município de Vargem Alegre, Rio de Janeiro. A investigação tem como proposta promover, por meio da construção desses objetos híbridos e suas instalações, experiências que possam propiciar de forma poética uma percepção sensorial e intuitiva de uma possível integração entre espécies, entre seres, entre organismos. Ao nosso ver, essa interseção semântica se faz possível pelo surgimento de uma aisthesis re-inventada pelo sistema/meio hibridizado que permite a constituição de códigos de comunicação entre os organismos, sempre partindo de uma proposição artística. Em 2016 desenvolvemos a obra Nós Abelhas um novo modulo móvel do projeto S.H.A.S.T. criado junto ao Núcleo de Arte e Novos Organismos.

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The project S.H.A.S.T. (Housing System for Homeless Bees) is a proposal for contemporary art located in the experimental field of computer art, which investigates poetic intersections between art, nature, and technology in the context of telematics. It is part of a larger body of work seeking the application of a technological tools, combined with handmade objects, exploring the creative potential that results from the integration of artificial, digital and / or analog systems, with natural organisms, in this case a swarm of africanized bees, located in the municipality of Vargem Alegre, state of Rio de Janeiro, Brazil. The research has the purpose to promote, through the construction of these hybrid objects and their facilities, experiences that can provide a poetic, sensory and intuitive perception of possible integration between species, between beings, between organisms. In our view, this semantic intersection is made possible by the emergence of a aesthesis re-invented by hybrid organisms which allow the establishment of codes of communication between different systems, always starting from an artistic proposition. In 2016 we created the work “ Wee Bees a new mobile module of project S.H.A.S.T. created at the Nucleus of Art and New Organisms.

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O projeto S.H.A.S.T. deu continuidade a pesquisa sobre instalações multimídia interativas de forma a conjugar aspectos do trabalho desenvolvido junto ao grupo A.C.Ho (intervenções urbanas performáticas), características culturais tradicionais como no caso do mitos das abelhas na cultura Kaimbé, e mais recentemente, as experiências realizadas junto ao NANO com o evento Hiperorgânicos onde arte, ciência e tecnologia se reúnem para experimentar uma natureza híbrida pós-biológica.

Da experiência com o grupo A.C.Ho extraímos a importância de relacionar as pesquisas realizadas na universidade com o contexto urbano, no nosso caso o centro da capital Rio de Janeiro.  Mais especificamente, exploramos a situação caótica de grandes centros onde a ocupação e a sobrevivência de todos que ali habitam se torna cada vez mais difícil. Com as intervenções artísticas buscamos não apenas transformar esses espaços públicos em espaços poéticos, mas também de evidenciar alguns desses problemas e conscientizar aqueles que ali habitam e frequentam, proporcionando talvez uma vivência mais lúdica e harmoniosa.

Fruto das experiências com a mitologia Kaimbé, selecionamos também aspectos que abordam uma proposição pública mas direcionada para um local específico, diretamente relacionado com as atividades das abelhas. Estas, com sua inteligência coletiva e sua organização social são objeto de estudo e de pesquisas dentro do conceito de  “Emergência” descrito por Steven Johnson no livro Emergência. A vida integrada entre formigas, cérebros, cidades e softwares. 

Com as experiências compartilhadas a partir do projeto Hiperorgânicos pudemos inserir as prerrogativas da telemática associada a conjunção arte/ciência/natureza nos projetos por nós desenvolvidos. Como mencionamos, os eventos Hiperorgânicos estão voltados para importância de se discutir a respeito das relações que surgem entre homens, máquinas inteligentes, o universo tecnológico contemporâneo e a “natureza” constituída a partir dessas relações. Situação esta que se justifica pela onipresença de produtos multimídia resultante da ubiquidade das ferramentas e/ou dispositivos tecnológicos computacionais, pelo crescente numero de teorias e estudos sobre “novas” estéticas e “novas” formas de interação humano/máquina-obra/público, pelos caminhos entrelaçados entre arte e ciência, dentre outras motivações. Abre a discussão a partir do ponto de vista do artista pesquisador, com enfoque nos processos de criação e nas referencias ou fontes inovadoras de conhecimento. Investe em questões de ecologia, inclusive ecologia humana, e na possibilidade de surgimento de uma nova consciência a partir da imersão e experimentação criativa nos ambientes cibernéticos. É um campo novo e extremamente rico pela possibilidade de agregar conhecimentos e de se colocar no centro das questões mais relevantes da sociedade contemporânea que discutem ecologia humana e desenvolvimento sustentável que necessita de foco e convergência que garantam a visibilidade que merecem no contexto das pesquisas artísticas.

Grande motivação para este projeto é o nosso envolvimento com a prática de uma agricultura orgânica e agro ecológica. Essa prática nos levou a tomar conhecimento de um grande desastre natural: o desaparecimentos das abelhas. Como fonte de mais informações sobre isso citamos este link http://www.semabelhasemalimento.com.br/home/causas/ onde é possível inclusive contribuir para minimizar o desastre. Segundo o site “A apicultura e a meliponicultura no mundo todo enfrentam hoje o seu maior desafio: as abelhas, principais polinizadores da natureza, estão desaparecendo. Os primeiros relatos apontando o desaparecimento em larga escala de abelhas vieram dos EUA, mas hoje este problema também se manifesta na Europa, América do Norte, América Latina e, particularmente, no Brasil. Estudos científicos indicam que este fenômeno é sintomático e epidêmico, causado por um distúrbio que mundialmente passou a ser denominado CCD (Colony Collapse Disorder – Síndrome do Colapso das Colônias) ou, simplesmente, Síndrome do Desaparecimento das Abelhas.”

S.H.A.S.T.  se propõem a criar um sistema colaborativo que venha a contribuir com as ações mundiais de proteção à abelhas. Nosso projeto prevê o monitoramento de enxames em áreas de produção rural orgânica, bem como a captura de enxames urbanos para o deslocamento destes para os cuidados de agricultores orgânicos. Mas nosso maior investimento esta no esforço de aproximar as pessoas desses insetos tão nobres e importantes para todos nós. Nesse sentido, o trabalho artístico se dedica a criar objetos, espaços, instalações e intervenções urbanas e rurais que venham sensibilizar e conscientizar o público sobre o desaparecimento das abelhas. Mais do que isso, desejamos fazer parte de um movimento mundial de preservação do meio ambiente e de estímulo a uma alimentação saudável.

 

O projeto envolve a produção de três módulos , ou três objetos, interconectados que compõem um espécie de tríptico telemático.

fig-1-shast-esquemaOs módulos são construídos no modelo de colmeias para apiários e estarão localizadas em pontos distintos. Um deles, instalado no apiário é uma colmeia real, com um enxame de abelhas ativo, produzindo. Este é monitorado de diferentes maneiras (temperatura, umidade, luminosidade e movimento) para que os dados das abelhas possam ser transmitidos via sistema telemático para um servidor localizado no laboratório. Este servidor recebe e distribui os dados coletados. Um segundo módulo é instalado em locais específicos urbanos onde se registra a presença de abelhas. O módulo 2 é dividido em duas partes: uma que projeta sons e imagens de colmeias ativas e simula para o público a presença das abelhas; outro que esta preparado para atrair abelhas que poderão, ou não, se alojar no módulo. O módulo estará em constante observação e vigilância para que a presença das abelhas seja imediatamente percebida e a caixa possa ser retirada do local com o enxame alojado. É um sistema natural e monitorado de captura de enxames urbanos. Faremos esta etapa com o auxílio de profissionais caça abelhas.

Acima alguns detalhes da instalação dos equipamentos de monitoramento instalados numa melgueira adicionada a caixa das abelhas. Utilizamos o sistema comercial de caixas para abelhas. Abaixo um esquema do sistema e imagens da colmeia com a caixa já acoplada.

O terceiro módulo é o módulo expositivo, simulador do processo completo e exibidor de todas as etapas do projeto. É construído para espaços expositivos, mostras e salões onde não é possível conviver com as abelhas. Esta projetado para ser uma instalação interativa conectada com os módulos externos. O primeiro protótipo foi criado em 2013 e exposto pela primeira vez durante o CAC.4 – Congresso de Arte Computacional, na exposição “Arte Computacional para Todos“, em setembro de 2014, no Prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ. Consiste em uma caixa de acrílico onde são projetadas imagens criadas pela artista e designer Barbara Castro a partir da visualização de dados capturados no módulo 1.

 

O mesmo trabalho foi apresentado na exposição EmMeio#7 (2014)  e no SESC Tijuca na mostra Verde Fluxos (2015) organizada pelo NANO.

Em 2015 iniciamos um módulo vestível para complementar o módulo 3 expositivo, projeto Nós Abelhas. Este foi pensado como um objeto móvel, para espaços internos e externos, que pudesse oferecer ao público uma experiência mais íntima e intensa com o universo das abelhas. Mais detalhes no link http://www.nano.eba.ufrj.br/s-h-a-s-t-sistema-habitacional-para-abelhas-sem-teto/wee-bees/.

O projeto, no contexto no NANO dá continuidade à pesquisa artística teórico/prática sobre a emergência de campos experimentais de naturezas híbridas resultantes de ações performáticas e instalações em ambientes abertos e/ou públicos de sistemas telemáticos computacionais híbridos. Pretendemos investir numa produção poética com enfoque em questões estéticas contemporâneas que integram arte, design, ciência e tecnologia direcionadas para uma aisthesis re+inventada, onde o processo de conscientização desse fenômeno expresse uma coerência sistêmica/poética. Partimos dos pressupostos de que a “obra” de arte contemporânea acontece, não busca representar, é o próprio fazer, o acontecer, o proporcionar do fazer e do acontecer; que o artista contemporâneo é um mediador que revela um processo e cria condições para que a obra aconteça; que os sistemas computacionais e os sistemas informatizados de telecomunicação exercem uma influência irreversível na produção artística contemporânea, seja ela no modo de pensar ou na práxis dos artistas; e, que essa práxis é fator fundante para uma sensível transformação social. O projeto foi desenvolvido como parte das atividades de pós-doutoramento na Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo – USP , sob orientação do artista e pesquisador Gilbertto Prado em colaboração com o Grupo Poéticas Digitais.

 

 

 

Outras Referências

1. OH!m1gas. biomimetic stridulation environment de Kuai Shen Auson

http://kuaishen.tv/0hm1gas/

ohm1gas formigas

2. MIT enlists 6.500 silkworms and one robot to rint a silk pavilion

http://www.theverge.com/2013/6/6/4401184/mit-media-lab-silk-pavilion

silk pavilion mit

3. Direto da Natureza Impressão 3D

http://www.ideafixa.com/impressao-3d-direto-da-natureza/

Impressão 3D