Tadeu Capistrano

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Arte, tecnologia e biopoder: conexões entre experimentação estética e ações políticas

 

Tadeu Capistrano*

O objetivo da comunicação é apresentar caminhos críticos de pesquisa para analisar as atuais relações entre arte e tecnociência, com ênfase nos impactos políticos das tecnologias de telepresença sobre a percepção e as diferentes reações estéticas aos atuais imperativos de conexão da sociedade global ou “on-line”. Analisaremos como novos modos de percepção têm sido engendrados por sistemas e instituições de poder que estabelecem novos vínculos entre arte, corpo e tecnologia. Desde os processos de modernização, ao longo do século XIX, o fluxo de energia humana tem sido cada vez mais captalizado e reduzido a quantidades finitas de força e sensação, permitindo que corpos sejam disciplinados, distribuídos e conectados a diferentes sistemas de produção, consumo e circulação. Este processo foi inseparável de novos arranjos sensoriais produzidos por aparatos midiáticos, cujos mecanismos de reprodução, gravação e comunicação formaram a base biopolítica da denominada “sociedade do espetáculo”. Diante desta questão, analisaremos como alguns artistas contemporâneos têm propiciado sabotagens estratégicas aos usos ordinários dos dispositivos de conexão produzidos pelos atuais processos de racionalização (bio)técnica, articulando, deste modo, a experimentação estética à ação política.

 

*Mini CV: Professor do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais e do Departamento de Teoria e História da Arte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolve pesquisas sobre a teoria da imagem e seus campos afins. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, desenvolveu tese sobre cinema, tecnologia e percepção com o apoio do CNPq e da Columbia University.

 

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